Bancos. “Há cada vez menos serviço ao cliente e idosos perdem em autonomia”
Radio Latina 3 min. 17.06.2024
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Bancos. “Há cada vez menos serviço ao cliente e idosos perdem em autonomia”

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Bancos. “Há cada vez menos serviço ao cliente e idosos perdem em autonomia”

Foto: Pierre Matgé
Radio Latina 3 min. 17.06.2024
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Bancos. “Há cada vez menos serviço ao cliente e idosos perdem em autonomia”

A União Luxemburguesa dos Consumidores defende, uma vez mais, a manutenção de alguns aspetos do ‘serviço clássico’ ao cliente.

É uma queixa antiga, mas que o ‘caso ING’ trouxe novamente à tona. Para a União Luxemburguesa dos Consumidores (ULC), o serviço dos bancos ao cliente faz com que determinadas pessoas, como alguns idosos, por exemplo, tenham cada vez menos autonomia em questões relacionadas com as operações bancárias.

Escutada pela Rádio Latina, Aline Rosenbaum, diretora da ULC, falou no corte ao nível do atendimento presencial nas agências, na crescente digitalização dos serviços e na constante atualização dos ‘softwares’ que deixam muitos utilizadores perdidos.

A ULC diz que há cada vez menos serviço ao cliente e volta a defender a manutenção uma parte do “serviço clássico”.

Tem conta no ING? Como mudar de conta de forma conveniente 

É importante não perder tempo. Palavras de Aline Rosenbaum, diretora da União Luxemburguesa dos Consumidores (ULC), sobre como devem agir os clientes do banco ING, que vão ver essa conta fechar.

Entrevistada pela Rádio Latina, a responsável diz que é importante que os clientes ajam depressa, para não correrem o risco de o processo demorar muito tempo. Depois de escolherem o seu futuro novo banco, é também crucial que peçam para fazer a chamada “mudança de conta” (changement de compte, em francês).

Desta forma, o cliente autoriza a nova instituição a contactar diretamente ao ING, para lhe pedir toda a informação necessária para a mudança de conta, sendo possível, por exemplo, transferir ordens permanentes e outras operações semelhantes para a nova conta.

A diretora da ULC lembra que os bancos podem, efetivamente, fechar uma conta bancária, estando, no entanto, obrigados a cumprir os termos contratuais gerais. Aline Rosenbaum frisa, contudo, que há que respeitar o cliente, dando-lhe, por exemplo, um pré-aviso mínimo de dois meses.

Aline Rosenbaum critica a comunicação – ou falta dela – por parte do ING para com os clientes, lembrando que, em muitos casos, a notificação sobre o encerramento de conta foi feito através do sistema de mensagens do e-banking, algo que nem sempre é consultado pelos utilizadores.

A ULC recebeu até agora “alguns telefonemas” de consumidores preocupados com a situação. Já o Centro Europeu dos Consumidores disse à Rádio Latina ter sido contactado, até ao dia 4 deste junho, por uma pessoa. 

Abrir conta bancária é um direito. Mas bancos podem recusá-lo em algumas situações

Muito se tem dito desde que o banco ING anunciou que vai acabar com o seu serviço de retalho a particulares. Mas haverá risco de estas pessoas ficarem sem conta? Não.

Segundo uma lei de 2017, os cidadãos têm direito a ter uma conta base. No Luxemburgo, há cinco bancos que não se podem recusar a abrir este tipo de conta. São eles os bancos que tiverem pelo menos 25 agências no país e que detiverem pelo menos 2,5% dos depósitos garantidos, independentemente de terem participação do Estado. Por cá, respondem a esses critérios o BCEE, BIL, BGL BNP Paribas, Raiffeisen e POST.

Questionado pela Rádio Latina, o Ministério das Finanças clarifica que a lei obriga os referidos bancos a fornecer uma conta base a qualquer particular. Mas há exceções. Os bancos podem rejeitar um pedido de abertura de conta se o consumidor já for titular de uma conta numa instituição bancária situada no país. A recusa é também possível se o cliente fornecer informações erradas no âmbito do procedimento de abertura de conta ou se o banco suspeitar de que a conta será utilizada para fins ilegais, como branqueamento de capitais ou financiamento de terrorismo.

Em causa estão contas-base, isto é, contas que servem para tratar de operações básicas como pagamentos com o cartão e depósito e levantamento de dinheiro.


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