Conflito no Irão. Mais de 300 luxemburgueses retidos no Médio Oriente

Mais de 300 luxemburgueses encontram-se atualmente retidos no Médio Oriente, na sequência do cancelamento de voos provocado pela escalada militar na região. Os cidadãos registaram-se através da plataforma Lama, criada para acompanhar situações de crise no estrangeiro.

Segundo Gilles Feith, diretor-geral da Luxair, e André Biever, diretor dos Assuntos Consulares, que falaram numa conferência de imprensa organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros no domingo à noite, é difícil determinar números exatos devido às circunstâncias instáveis no terreno.

Biever indicou ainda que o Ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos garantiu que os cidadãos afetados podem permanecer nos seus hotéis. As autoridades aconselham que ninguém tente regressar por conta própria. O Ministério dos Negócios Estrangeiros disponibilizou também uma linha de apoio para prestar assistência aos afetados.

 


Luxemburgo reforça apelo à vigilância

O primeiro-ministro luxemburguês, Luc Frieden, sublinhou que a instabilidade no Médio Oriente tem impacto direto na Europa. Segundo o chefe do Governo, existem grupos e infraestruturas que podem tornar-se alvos potenciais, razão pela qual a segurança europeia deve ser levada “muito a sério”. Frieden garantiu que tudo será feito para assegurar o mais elevado nível de proteção no Luxemburgo e na União Europeia.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Xavier Bettel, reagiu após uma reunião dos 27 chefes da diplomacia da União Europeia. Bettel considerou que as ações militares dos Estados Unidos e de Israel não estão em conformidade com o direito internacional e alertou para as consequências de uma eventual queda do regime iraniano, mesmo reconhecendo que muitos iranianos possam ver essa mudança com esperança. Para o ministro, uma situação instável no Médio Oriente representa um perigo grave.

 


Escalada militar e impacto internacional

O conflito intensificou-se após ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irão, com o objetivo declarado de enfraquecer o regime. O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação militar visa destruir o programa nuclear iraniano e abrir caminho a uma nova liderança política no país.

Entretanto, o Irão confirmou a morte do líder supremo, Ali Khamenei, que ocupava o cargo desde 1989, e decretou um período de luto nacional de 40 dias. De acordo com a Cruz Vermelha iraniana, há pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos na sequência dos ataques.

Os líderes da Alemanha, França e Reino Unido declararam-se prontos para adotar “ações defensivas necessárias e proporcionadas” perante eventuais respostas iranianas, afirmando querer neutralizar as capacidades militares de Teerão. Ao mesmo tempo, manifestaram consternação face a ataques considerados “cegos e desproporcionados”, que estariam a afetar países do Médio Oriente não envolvidos na operação inicial.

 


Reino Unido anuncia "suposto ataque com drone" a base britânica em Chipre

O Reino Unido ativou os seus mecanismos de defesa após um alegado ataque com drones contra a base da Royal Air Force em Akrotiri, no Chipre, ocorrido durante a madrugada. Segundo o Ministério da Defesa britânico, o nível de proteção na região foi elevado ao máximo e não há registo de vítimas.

Londres reforçou recentemente os meios militares naquela base, incluindo sistemas antiaéreos e aviões F-35, e autorizou os Estados Unidos a utilizarem infraestruturas britânicas para atingir posições de mísseis iranianos. O primeiro-ministro Keir Starmer garantiu, contudo, que o Reino Unido não participará em ações ofensivas no Irão.


Voos cancelados e viagens desaconselhadas

O voo LG9009 da Luxair com destino ao Dubai, previsto para as 7h50 desta segunda-feira, foi cancelado devido à situação de segurança. Segundo Gilles Feith, é muito provável que os voos programados para terça e quarta-feira também sejam anulados.

Embora as deslocações ao Médio Oriente já constassem da lista de viagens a evitar, o Governo luxemburguês passou agora a desaconselhar “fortemente” qualquer viagem para a região, enquanto a instabilidade militar se mantiver.

 


Colisão entre duas viaturas em Esch faz quatro feridos

Quatro pessoas ficaram feridas após uma colisão entre duas viaturas, na noite de domingo, em Esch-sur-Alzette. De acordo com a Corporação Grã-Ducal de Incêndio e Socorro (CGDIS), o acidente aconteceu por volta das 20h51 na rue Batty Weber, na cidade do sul.

A CGDIS refere que o acidente mobilizou vários meios de socorro, incluindo bombeiros e ambulâncias. O estado clínico das quatro vítimas não é conhecido.

A CGDIS dá ainda conta de dois outros acidentes, que causaram um ferido cada. Pouco antes das 17h, os serviços de emergência foram chamados após a queda de um motociclista, na CR324, em Pintsch, sentido Hosingen. Mais tarde, pelas 19h47, uma viatura colidiu com a barreira de segurança da A13, sentido Pétange.


Buscas na EFG Bank Luxemburgo no âmbito de investigação por branqueamento

Uma busca foi realizada na terça-feira, 24 de fevereiro, nas instalações da EFG Bank, no Luxemburgo, no âmbito de uma investigação preliminar aberta em 2025 por suspeitas de branqueamento de capitais e incumprimento das regras de combate ao financiamento do terrorismo. A informação foi avançada pelo Paperjam.

Segundo a publicação, o processo incide sobre alegadas falhas na vigilância de clientes, deficiências na organização interna e eventual falta de cooperação com as autoridades, conforme previsto na legislação luxemburguesa.

A operação envolveu 24 agentes do Serviço de Polícia Judiciária, das secções anti-branqueamento e de “novas tecnologias”, bem como dois representantes do Ministério Público.

De acordo com o Paperjam, o inquérito decorre a favor e contra os visados, aplicando-se o princípio da presunção de inocência. Até ao momento, não foi anunciada qualquer acusação formal ou condenação. A investigação continua sob a autoridade do Ministério Público.

Texto: Redação | Lusa | Foto: Claude Piscitelli